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| Militares realizam o sonho de Aninha. Vizinha de uma companhia da PM, a menina reclamava que eles passavam de carro e nunca conversavam com ela |
Segundo o sargento José Roberto dos Santos, a surpresa foi uma forma de retribuir o carinho da menina. “Para nós, é muito importante essa proximidade com a população”, afirmou. Os policiais chegaram por volta das 10h. Ao chamar, foram atendidos pelo avô da menina, o servente de pedreiro Doraci Fernandes Ramos, de 60. Surpreso e feliz com a presença dos militares, foi logo avisando. “Ela está terminando de se arrumar”, contou. Cinco minutos depois, ocorreu o esperado encontro com Ana Clara, que estava no colo da avó. Após os primeiros minutos de timidez, ela aproveitou os momentos de alegria ao lado dos militares. “Achei muito bonito, porque gosto muito de policial”, disse.
Segundo a avó, Ana Clara, que mora a alguns quarteirões da 187ª Cia, sempre fica eufórica quando vê um carro da polícia. “E sempre reclama que eles passavam e não conversavam com ela”, conta. Além da visita, Ana Clara ganhou uma linda boneca e uma caixa de bombons. “Nunca vou esquecer o que eles fizeram por ela hoje”, agradeceu a avó. Para os policiais, a surpresa foi um momento emocionante em uma rotina de trabalho marcada pela tensão. “Nossa visita serve para mostrar à sociedade que a PM está nas ruas para fazer o bem”, disse o soldado Carlos Leal, que aproveitou para registrar todos os momentos da visita com uma câmera fotográfica. Também participaram da surpresa o cabo Mário Rigo e o Soldado Cléber Mota. “Tenho uma filha da mesma idade e me identifico com toda a paixão que uma criança desperta na família”, disse, emocionado.
Superação
A visita a Ana Clara ganha em importância quando se conhece a história da menina, que nasceu com hidrocefalia e, devido a uma má-formação congênita na medula, tem dificuldade nos movimentos da cintura para baixo. Ela mora com os avós e dois primos em uma casa pequena, com três cômodos. Em decorrência da saúde, Ana Clara frequenta semanalmente a Apae de Betim e também se trata periodicamente no Hospital das Clínicas, em Belo Horizonte, onde tem consultas a cada seis meses, e no Hospital Sarah Kubitschek, ao qual comparece a cada dois meses. “Ela é o xodó da nossa família”, derrete-se a avó, que parou de trabalhar para cuidar exclusivamente da netinha.
No roteiro médico, a menina tem uma agenda de consultas com profissionais como psicólogos, fisioterapeutas e neurocirurgião. Como a família é simples e com poucos recursos, cada um faz o que pode para ajudar no tratamento de Aninha. A mãe dela, a diarista Sandra de Souza Ramos, de 31 anos, trabalha apenas uma vez por semana e seus rendimentos não passam dos R$ 200 mensais. Seu Doraci, avô da menina, está desempregado e um dos primos, Wagner Marcondes de Souza, de 18, está à espera da convocação em uma empresa local para entrar no mercado de trabalho.
Um quadro que desafia a família, obrigada a gastar muito dinheiro com as fraldas descartáveis de Aninha e os remédios que ela costuma tomar quando tem alguma complicação na saúde. Hoje, os recursos que dão suporte ao tratamento da garota vêm da renda do padrasto, o motorista Carlos Froner da Silva, de 34, que ganha em torno de R$ 800. “Ela está na minha vida há quatro meses e é linda!”, emociona-se.
Aninha frequenta uma creche onde convive com outras crianças e começa a se alfabetizar. No ano que vem, começará a frequentar o ensino fundamental e, para que tenha uma qualidade de vida melhor, o próximo objetivo da avó é conseguir uma cadeira de rodas. “Tenho que carrregá-la e ela já está grande, não aguento mais o peso”, conta. A preocupação da mãe é também com a saúde da menina. “Ela precisa ficar com a postura o mais correta possível”, disse. Mas, mesmo com todas as dificuldades, ontem era possível ver nos olhos de cada um dos membros da família a satisfação por ver Aninha realizar seu grande sonho. “Não tenho nem palavras para agradecer”, emocionou-se Sandra.
Fonte: http://www.em.com.br/

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