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sexta-feira, 25 de março de 2011

Oficina do inferno

Foi parar no xilindró? Então é bom aprender a se virar dentro da prisão. Isqueiro, aquecedor, cachaça, saleiro: dá pra fazer tudo isso atrás das grades.




A oficina dos presidiários é erguida longe da vista dos guardas e vigias para fornecer aos detentos aquilo que eles não podem ter. Isqueiros, aquecedores, tostadores, forninhos, tudo feito com clipes de papel, pedaços de escova, palitos e outros objetos simples.

Trinta dessas invenções carcerárias, desenhadas por presos americanos, foram publicadas no livro Prisoners’ Inventions ("Invenções de Prisioneiros", sem tradução para o português). Espécie de versão masmorra do Manual do Escoteiro Mirim, o livro chamou a atenção de vários artistas. Tanto que algumas peças viraram exposição.

Mas os detentos brasileiros também são engenhosos. Prova disso é a fabricação da aguardente "Maria Louca", que envolve complicados processos de fermentação e destilação, na antiga Casa de Detenção do Carandiru. Bom, complicado para nós. Para eles, era uma festa só. Com auxí­lio do físico Cláudio Furukawa, da USP, a SUPER construiu algumas dessas traquitanas. Duas envolvem eletricidade e, portanto, perigo. "O preso precisa tomar cuidado para manejar os objetos", afirma o físico.

Aviso: não tente fazer nada disso em casa. Você não é o MacGyver.

Aquecedor de água

Que tal um café quente na cela? Um presidiário reproduziu o que os físicos chamam de efeito Joule. Duas tiras de metal saem da tomada e entram num copo. A corrente passa pelo líquido e gera calor. No protótipo da super, o copo fumegou em 30 minutos.

Isqueiro

Essa foi bolada por um preso americano. O ciarro acende, mas dá medo chegar perto. Para melhorar a condutividade, joga-se uma pitada de sal na água. O copo esquenta e a parte imersa do clipe escurece. É a reação de eletrólise, em que os sais grudam no metal.

Saleiro e pimenta

Eis o truque para fazer um galheteiro. Com palitos de sorvetes, tiras de lata de alumínio e caixas de fósforos, constrói-se uma peça para não misturar o sal e a pimenta. Ob­jetos simples como esse fazem de uma cela um lar.

"Maria Louca"

No Carandiru, com água, fermento e arroz, e dominando as artes da fermentação e da destilação, eles pro­du­ziam a cachaça"Maria Louca". A gar­rafa custava R$ 150 nos pavilhões, como um uís­que 12 anos no supermercado. E olha que a "Maria"?levava só 6 dias para ser feita.

1. Fermentação

Os presos misturam água, arroz, fermento e açúcar (mais casca de frutas, café ou cravo para dar gosto) em garrafas plásticas e escondem em um buraco. Uma luz fornece o calor. As tampas são giradas aos poucos para soltar os gases. O processo dura 6 dias.

2. Destilção

Num galão, eles esquentam o líquido com uma tesoura plugada na tomada. O álcool, com ponto de ebulição menor que o da água, vira vapor logo. Esse vapor é resfriado na serpentina e vira o precioso líquido, pronto para o consumo dos condenados.

Fonte: Superinteressante Abril 2006/ http://sargentoricardo.blogspot.com/

sábado, 25 de dezembro de 2010

Faz uma tatuagem na testa, pois quero ver se eles vão arrancar a cabeça

25/12/2010 - 17h47
Aumentam casos de tornozeleiras de presos rompidas e abandonadas
Globo.com


Aumentou o número de casos de tornozeleiras eletrônicas de monitoramento de presos que estão sendo rompidas e abandonadas no estado de São Paulo.

Até este sábado (25), pelo menos três aparelhos usados por detentos beneficiados com saídas temporárias para passar o Natal e Ano Novo com suas famílias foram encontradas danificadas.

O objetivo do presidiário que quebra do equipamento é fugir e não ser localizado. Até o momento, a polícia conseguiu prender apenas um dos presos que romperam o lacre.

Policiais informaram ao G1 que há mais outros casos suspeitos de presos que conseguiram se livrar da tornozeleira. Ao todo, 4.635 presos, todos do regime semiaberto, estão usando o equipamento.

Em torno de 20 mil detentos que saíram dos presídios de São Paulo nesta semana são obrigados a retornar à cadeia no dia 3 de janeiro.

Até agora a única prisão de detento que rompeu o lacre que se tem conhecimento ocorreu em Ourinhos, no interior de São Paulo, na quinta-feira (23).

A Polícia Militar prendeu um presidiário que ganhou a saída temporária de Natal para ficar com seus parentes, mas quebrou o aparelho. Ele foi autuado em flagrante por dano qualificado pela Polícia Civil e encaminhado a uma penitenciária.

Em outros dois casos, os presos que quebraram a tornozeleira para escaparem do monitoramento ainda não foram presos pela polícia.

A situação mais recente envolve uma presa que tinha sido liberada para passar o Natal em casa, rompeu o lacre eletrônico e fugiu. O equipamento foi encontrado jogado numa rua do Bairro Vila Rica, na região de São Mateus, na Zona Leste de São Paulo. Ela tem a identificação do nome da presa de 26 anos.

O aparelho parece um relógio e é acompanhado por um GPS, que rastreia o local exato onde o equipamento está. A presa cumpria pena na Penitenciária Feminina do Butantã, na Zona Oeste da capital.

O primeiro caso confirmado de rompimento de lacre ocorreu na quinta-feira em Marília, no interior do estado.

A tornozeleira foi encontrada pela Polícia Militar depois que testemunhas viram o preso arrebentar o lacre. Até este sábado, o detento não havia sido localizado.

Dados
Os presos que receberam a tornozeleira eletrônica tiveram de informar o endereço onde passariam esses dias.

A empresa que monitora o aparelho terá de avisar a Secretaria de Administração Penitenciária caso ele seja flagrado fora desse endereço à noite. Se isso ocorrer, o detento perde o benefício e volta ao regime fechado.

Mas se ele quebra a tornozeleira, o monitoramento não funciona. Nesse caso, só a polícia poderá recapturá-lo.

Em 2009, ainda sem as tornozeleiras, 23.331 detentos saíram na época de Natal, mas 1.985 deles não voltaram para a cadeia, o que corresponde a 8,51% do total.

Lei federal
Uma lei federal instituiu neste ano o uso das tornozeleiras. O objetivo dela é o de controlar presos do regime semiaberto, que têm direito de sair da prisão cinco vezes por ano para visitar a família.

O aparelho também será usado em presos que trabalham fora da cadeia.

Apesar de existir uma lei que determina o uso do equipamento, alguns presos do estado entraram com pedido de habeas corpus para saírem dos presídios para as festas de fim de ano sem as tornozeleiras.

Os detentos afirmam que o uso do aparelho fere o princípio da dignidade humana.

No pedido, os presos classificam a utilização do equipamento de caráter vexatório, bullying, de extrema violência moral e psicológica.
Fonte: 24 NEWS /blog do Sargento Ricardo

Tornozeleira usada para monitorar preso é achada rompida

Uma tornozeleira eletrônica utilizada por presos beneficiados com saídas temporárias para passar o Natal e Ano Novo com suas famílias foi encontrada rompida numa rua em Marília, no interior de São Paulo, na quinta-feira (23). Uma pessoa que achou o aparelho avisou a Polícia Civil. Como cada tornozeleira está registrada no nome de um detento, os investigadores sabem quem é o fugitivo e agora ele está sendo procurado

A suspeita é que o preso tenha rompido o aparelho, que é utilizado para monitorar eletronicamente os detentos que receberam a saída temporária para as festas de fim de ano. Ao todo, 4.635 detentos de São Paulo que ganharam o benefício também tiveram de usar as tornozeleiras.

saiba mais
Mais de 4.600 serão monitorados com tornozeleira eletrônica em SP
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria da Administração Penitenciária (SAP), o monitoramento feito com o auxílio de tornozeleiras eletrônicas só ocorre após expedidas as devidas autorizações judiciais. A iniciativa é inédita, segundo a SAP.

De sete centros de detenção provisória e de penitenciárias femininas localizados na Capital e na Grande São Paulo, ao menos 1.379 detentos serão monitorados. Mais 1.650 presos serão beneficiados na região Noroeste do estado, que abrange cidades como Araraquara, Marília, Lins e Ourinhos. Da região Oeste, serão mais 878 e, da Central, 728 detentos.

De acordo com a SAP, o benefício foi concedido a 23.331 presidiários em 2009. Deste total, 1.985, o que corresponde a 8,51%, não se apresentaram ao sistema carcerário do estado ao término da saída de fim de ano.

Fonte: 24 NEWS / blog do Sargento Ricardo