No País onde a inversão de valores é grande, é claro que tinha que ter o dia do orgulho de ser prostituta!!!
DIA 02 DE JUNHO, DIA DAS PROSTITUTAS. SABIA DISSO?
Conhecida como “a profissão mais antiga do mundo”, as prostituas
comemoram seu dia no 2 de junho. Segundo o site da Rede Brasileira de
Prostitutas, o Dia Internacional da Prostitura teve origem no ano de
1975, quando 150 prostitutas ocuparam a igreja de Saint-Nizier, na
França, para protestar contra o abuso que sofriam. Julgadas pela
sociedade, na teledramaturgia elas ganharam papel de destaque.
Maluquinhas, inoscentes, sedutoras. De classe baixa a classe média, as
profissionais do sexo ganharam várias facetas nas novelas e minisséries.
O caráter sensível de muitas personagens conquistou o público. O
Social1 relembra as que mais deram o que falar.Vamos lá.
Quem não lembra da Bebel de Paraído Tropical (2007)? E Hilda Furacão da
minissério de 1998? Uma das primeiras personagens a despertar a emoção
do público, Capitu fez sucesso em Laços de Família (2000).
CAPITU A garota de classe média se prostituía para sustentar os pais e o
filho pequeno. Capitu foi humilhada muitas vezes ao longo da novela,
mas caiu nas graças do público e teve um final feliz ao lado do pai de
seu filho.
HILDA FURACÃO Filha de uma tradicional família de classe média, Hilda
escandalizou a sociedade mineira dos anos 50 ao romper com a família e
com as convenções fugindo no dia de seu casamento e indo refugiar-se
entre as prostitutas.
BEBEL Atraente e sem caráter, a prostituta troca o bordel para lucrar
mais no calçadão de Copacabana. Bem humorada e sensível, a personagem de
Camila Pitanga vive
uma história de amor o vilão Olavo
AQUI EM PERNAMBUCO NÓS TEMOS A PUTA MAIS FAMOSA, É ASSIM QUE ELA GOSTA DE SER CHAMDA.
NANCI FEIJÓ.
VEJA A HISTÓRIA DE NANCI. CONTADA NO NE 10
Nanci Feijó é coordenadora da Associação Pernambucana das
Profissionais do Sexo (APPS), fundada em 2002 com o objetivo de dar
qualidade de vida às prostitutas. Encontrei-a na Secretaria de
Assistência Social, na Prefeitura do Recife. Inconscientemente –
confesso que não pensei na comum associação entre prostituição e vida
fácil – disse que ela era uma mulher difícil diante da dificuldade em
marcar a entrevista. “É, meu filho, eu sou uma global”, respondeu com
bom humor.
Sem vergonha de dizer em que trabalha, Nanci tem orgulho do que faz e vê
na atuação na Associação um grande passo para acabar com a hipocrisia e
a discriminação da sociedade. “A gente quer sair debaixo do tapete.
Desde que eu nasci, existe prostituição, isso não é novo”, explica. E,
mesmo tendo passado por situações complicadas na prostituição, não se
arrepende de nada do que fez.
Filha de proprietários de um engenho de Escada, Zona da Mata de
Pernambuco, começou a se prostituir por conta de uma desilusão amorosa.
Foi de carona para Salvador (BA) e lá fez seu primeiro programa. “No
começo, não foi por dinheiro; meus pais me sustentariam onde quer que eu
estivesse”, conta. Sofreu um pouco no início, mas gostou do que fez e,
após 10 anos, voltou para Pernambuco, onde vive até hoje.
Com dois filhos e um companheiro com quem não mora junto, Nanci, 51
anos, divide-se entre o trabalho na Assistência Social da Prefeitura, a
coordenação da APPS e a vida de prostituta. O companheiro e os filhos
entendem o trabalho e a respeitam. “Não quero que me beijem nem que me
abracem; quero respeito. Isso eu exijo”, salienta. Consciente, sempre
pensou no futuro. Por isso, há 20 anos contribui para o Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS) como cabeleireira, já que o Código
Brasileiro de Ocupação (CBO) só foi instituído em 2002, quando a
contribuição como profissional do sexo pôde ser feita desde então.
Com a prostituição, Nanci criou os dois filhos e hoje cada um tem sua
casa própria, doada pela mãe. Apesar dessas conquistas, não considera
que a vida como prostituta seja fácil, mas arriscada, "porque todos os
dias você pode morrer quando sai para trabalhar". “Certa vez uma mulher
me perguntou: Vocês fazem comida, lavam roupas? Pensam que a gente é uma
boneca, que ‘tá’ lá vitrine. Eu sou como qualquer outra, tenho dor,
choro, adoeço”, explica. No trabalho da rua, uma queixa frequente é a
atuação da polícia. Muitas vezes, os policiais chegam, batem nelas e as
colocam nas viaturas. Ainda hoje funciona dessa forma mesmo com todo o
trabalho de esclarecimento e mesmo levando-se em conta que a
prostituição não é crime no Brasil.
Quanto ao perfil dos clientes, a maioria é de baixa renda. O programa em
média custa R$ 50. Sobre o que os homens querem ao procurar uma
prostituta, Nanci afirma não ser simplesmente sexo. “Muitas vezes, a
gente nem transa, às vezes eles querem conversar e a mulher de casa não
tem essa preocupação. É a maior queixa deles”, completa. Sobre os
clientes ricos, famosos, políticos, ela diz ter saído com vários, mas
não revela o nome de nenhum, por ética profissional.
FANTASIAS SEXUAIS - Além disso, Nanci conta que possui autonomia
em seu trabalho e que faz apenas o que deseja, referindo-se a uma antiga
discussão com algumas feministas. Ela, que se considera prostituta e
feminista, é enfática ao dizer que não vende o corpo, mas, sim,
fantasias sexuais. “Se eu vendesse o corpo, em 35 anos de prostituta nem
cabelo eu tinha”, responde ironicamente.
O trabalho da APPS trata dessa questão ao mostrar que as prostitutas não
devem se submeter a qualquer coisa que os clientes quiserem. É
importante lutar pela cidadania da categoria, pelo respeito a seus
direitos, contra a violência, o preconceito e a discriminação. Mais que
isso, a prevenção é o carro-chefe da entidade, que realiza diversas
ações de orientação sexual. “Muitos homens chegam à noite e oferecem R$
100, por exemplo, por um programa sem camisinha e elas têm que dizer
Não”, explica.
Há oito anos como coordenadora da APPS, Nanci pensa em se desligar do
cargo, mas sabe que a associação acabaria por não existir outra
liderança forte em Pernambuco. Com o apoio da Prefeitura e especialmente
do Ministério da Saúde, a associação tem como uma das metas se unir a
projetos de cultura e educação, visto que só conta com parceiros na área
da saúde.
E Nanci ainda alimenta o desejo de fundar uma grife de lingerie. “Toda a
vida fui danada. Também vou realizar esse sonho”, garante.
* Estudante de Jornalismo da UFPE orientado pela professora Paula Reis
http://sargentoricardo.blogspot.com.br




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