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sexta-feira, 15 de junho de 2012

$$$$$$$$$Dois pesos e duas medidas…$$$$$


Por volta das 6h dessa quarta-feira, uma viatura
 do 11º Batalhão da Polícia Militar foi acionada para
 atender a uma ocorrência de um motorista que estaria
 conduzindo um carro em direção perigosa, além de estar
 buzinando insistentemente, na Estradas das Ubaias, no
 bairro de Casa Forte, Recife. Os dois policiais se dirigiram
 ao local e lá encontraram uma senhora dentro de sua BMW
 avaliada em aproximadamente R$ 400 mil. O tal condutor que
 estaria buzinando e ainda praticando direção perigosa era
 uma empresária de 48 anos, que, segundo a polícia e os
 agentes da CTTU, estava com sintomas de embriaguez.
 Algumas latas de cervejas foram encontradas no interior
do carro. Os dois PMs que chegaram ao local tentaram, em
 vão conversar com a motorista. Muito alterada e sem aten-
der aos pedidos dos PMs, tentou dar partida com seu valioso
 carro e acabou batendo na viatura e quebrando um dos vidros
 da guarnição policial. Em meio à confusão no meio da rua, aca-
bou recebendo abrigo em um dos prédios da Estrada das Ubaias,
 de onde já saiu em outro carro dirigido por um funcionário.
Agentes da CTTU chegaram ao local e acabaram notificando
 a empresária que se recusou a fazer o teste do bafômetro. 
“Mandamos o carro dela para o depósito da CTTU, apreen-
demos a Carteira de Habilitação e aplicamos a multa por ele 
estar com sinais de ter ingerido bebida alcoólica. Como ela
 estava muito alterada e já havia acontecido o problema
 com a PM, o caso foi trazido para a Delegacia de Casa Ama-
rela”, explicou o agente de trânsito Geovane Pereira.

Vidro traseiro da viatura foi quebrado pelo carro da empresária
Até aí, estaria tudo tranquilo. A ocorrência foi iniciada na rua
 e encaminhada para a delegacia onde seria finalizada. No en-
tanto, ao chegar  na delegacia, a empresária se recusou a des-
cer do veículo I30 onde estava sentada no banco traseiro.
 Já era perto do meio dia e a motorista não havia ainda sido
 ouvida sobre o incidente que se envolvera mais cedo. Como
 a imprensa estava acompanhando tudo desde cedo, muitos
 curiosos acabaram se aglomerando na frente da delegacia
na expectativa  de ver a motorista descer do carro. “Se fosse
 uma mulher pobre, já tinha  sido levada para o xadrez e ainda
 vinha pra cá no carro da polícia. Mas como é uma rica, as 
coisas são diferentes”, apontou um dos homens que acom-
panhou a movimentação. Quatro advogados, uma filha e 
alguns funcionários  da empresária a cercaram de cuidados
 para que ela não tivesse a imagem  exposta.
 Ela fumou, tomou água, conversou com os advogados
 e só entrou na delegacia  para ser autuada por volta das 12h.
 “A senhora que está lá fora não  é uma criminosa, não tem
 antecedentes criminais e está constrangida em descer  do carro
 para prestar depoimento. Preciso da compreensão de vocês
 para  não expor a imagem dela.
 É um direito”, avisou a delegada que estava de plantão em
 Casa Amarela, depois de conversar com os defensores
 da empresária.

Motorista ficou dentro do carro que era guardado por um policial militar
Ao final das contas, a motorista foi autuada em flagrante pelos
crimes de dano ao patrimônio público e desobediência, além de
 responder por  contravenção penal por recusa de entrega dos docu-
mentos, cuja a pena  é uma multa decidida pela Justiça. Como a
 pena dos crimes pelos quais foi  autuada é menor que quatro anos,
 a empresária pagou uma fiança de três  salários mínimos e voltou
 para casa depois de mobilizar vários policiais e agentes de trânsito
 nessa ocorrência. A pergunta que muita gente se fez e ainda
deve estar se fazendo e se o tratamento dado à empresária seria
 o mesmo para um motorista menos influente e dono de um 
carro mais simples.

Policiais, advogados e familiares falavam com a empresária pe-
la janela

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