CAPITÃO DA PM QUESTIONOU CONCURSO E ACABOU ENVIADO PARA ÁREA ONDE FOI AMEAÇADO
Depois de mais de uma década servindo ao Estado, o capitão da Polícia Militar Carlos Francisco Ludwig Neto
se viu obrigado a acioná-lo na Justiça. Com ampla atuação no combate às
milícias em sua carreira, o capitão foi transferido, no fim do último
mês, para o 40º BPM (Campo Grande), na Zona Oeste do Rio deJaneiro,
região com forte atuação desses grupos criminosos. Entrou com uma ação,
na qual alegou que corria "risco iminente de morte", conseguiu sair do
batalhão. Ficou lá só por nove dias e venceu o processo.
A ação do capitão Ludwig, na
realidade, teve início com seu descontentamento por alterações no edital
do concurso para o curso de aperfeiçoamento de militares da PM de 2012.
As mudanças teriam deixado o policial de fora da primeira turma do
curso, que irá promovê-lo a major. Sua transferência para o 40º, alega
no processo, teria sido em decorrência de sua decisão de acionar o
Estado.
Não foi a primeira vez que ele
foi transferido desde que começou a brigar pela vaga. Antes de apelar à
Justiça, o capitão entrou com um recurso administrativo dentro da PM. Um
dia depois, em 20 de março deste ano, foi publicado no boletim da
corporação a mudança de Ludwig da Corregedoria para a a Diretoria Geral
de Pessoal (DGP), a "geladeira" da PM.
Para o batalhão de Campo Grande,
foi transferido em 25 de abril, dois dias antes de sua ação começar a
tramitar na Justiça e data em que, de acordo com capitão, a PM já tinha
conhecimento de que entraria com uma ação.
Através de sua assessoria de
imprensa, a corporação negou que a movimentação do capitão tenha relação
com o seu recurso administrativo. Sobre a transferência para o 40º BPM,
a polícia alegou que "faz parte da rotina de todo policial militar o
risco decorrente da prisão de qulquer delinquente na área em que
trabalha".
A juíza Alessandra Cristina
Tufvesson Peixoto, em sua decisão, favorável à volta de Ludwig para a
DGP, afirmou que o recurso interposto por ele não pode resultar em "dano
a sua vida ou integridade física". A magistrada, no entanto, negou o
pedido do policial de ser matriculado na primeira turma do curso. A ação
agora está sendo julgada em 2ª instância.

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