
Na falta de um escândalo mais polpudo, a imprensa descobriu que Fernando Bezerra Coelho destinou parte significativa dos recursos de sua pasta para Pernambuco.
Logo começaram a surgir questionamentos de todos os lados.
De parte da imprensa um suposto aparelhamento e favorecimento em função do Ministro ser daqui e ter enviado parte significativa dos recursos para seu estado natal. De parte do Ministro, algumas boas argumentações e de parte de aliados e da elite local, o mimimi já conhecido.
A pergunta que deveriam estar fazendo é outra: por que diabos os recursos as obras de prevenção de chuvas estão em sua maioria no Ministério das Cidades?
A resposta para isso muitos não querem dar.
Quando teve o primeiro desastre no Governo Lula, na Região de Petrópolis, a escumalha política tratou logo de cobrar repasses do Governo Federal para a região. Ciro Gomes, então Ministro da Integração (tinha acabado de assumir) foi direto: “não vou mandar dinheiro para o Poder Público local porque os prefeitos tratarão de roubar tudo. Prefiro mandar para as pessoas atingidas para que recuperem a vida”.
Petropolis é sempre alvo de desastres naturais
Rapidamente deram um bypass em Ciro e mandaram o dinheiro do ano seguinte para Olivio Dutra (PT-RS) “atender” as cidades. O resultado disso foi a continuidade de escãndalos de corrupção em épocas de emergência, quando licitações são flexibilizadas.
Desde então o Ministério das Cidades, agora nas mãos do “republicano” PP, cresceu e faz de conta que o problema não é com ele. Na prática a gerência de desastres ficou dividida entre dois Ministérios, como tudo em um Governo que tem 39 Ministros, um batendo cabeça com o outro.
Como já previra Ciro Gomes, a roubalheira continuou e as tragédias não cessaram. A ideia dele era atender as famílias e fazer as obras de contenção. Queria tirar das prefeituras a tarefa de fazer as casas populares e dar ao Estado o comando das obras maiores.
Mas outros interesses falaram mais alto.
Mas voltando ao caso de Fernando Bezerra Coelho e suas boas argumentações, resta a explicação bem colocada de que em função de um desastre natural, Pernambuco recebeu grande parte dos recursos, que cá prá nós, nem é muita coisa assim. Esqueceu de citar que Santa Catarina e Rio também tiveram desastres semelhantes, mas vamos relevar isso. O fato é que a chuva em Pernambuco foi grande e reforça o argumento de FBC.
Pronto, deveria acabar aí a explicação. O que menos importa é percentual de quanto veio para cá, já que desastre é desastre e não se deve medir esforços para minimizar a tragédia.
Mas não…

Elite política se faz de coitada,
mas quem sofre mesmo é o povo
Quando abro minha caixa de emails agora de manhã, várias pessoas reclamando de discriminação contra Fernando Bezerra, Eduardo Campos, Pernambuco, etc.
Por aqui o povo não perde a mania de reclamar de preconceito, discriminação e o blá blá blá conhecido. Isso tudo articulado pela nossa elite política, com a ajuda de parte da imprensa.
É um comportamento semelhante ao do Gato de Botas. Se faz de coitado quando interessa, mas no fundo luta feito um monstro quando é preciso para defender seus interesses, especialmente interesses financeiros.
É preciso parar com essa síndrome de sofredor. Pernambuco não é mais aquela tragédia econômica que estávamos acostumados. Não apenas o Governo Federal posicionou-se de forma decisiva para tirar Pernambuco da decadência, mas o setor privado do sudeste também.
Várias empresas estão apostando no Estado, e essa síndrome de coitado que alguns tentam passar só nos rebaixa. É preciso se impor fazendo-se respeitar.
O Estado é o quase paraíso escandinavo? Claro que não, ninguém está falando isso. Aqui a tragédia social ainda é imensa, mas essa crise de coitado não combina com nossa elite política e econômica. Se tem alguém aqui que não deve chorar por isso é a nossa parte de cima da pirâmide social.
Esse comportamento Gato de Botas de nossa elite é patético, quando quem sofre por aqui é o povo.
Basta ver o que acontece em Ipojuca para saber do que estou falando. Enquanto a Prefeitura se esparrama em dinheiro, o povo vive em absoluta miséria.
Mas o pior de tudo isso é ver que parte significativa dos eleitores considera positivo o fato do camarada ser daqui e enviar recursos para seu Estado. Isso dá não apenas votos, mas argumentos positivos.
Fonte: Acertos de Contas
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