Em meio à turbulência econômica global, a Fiat confirmou ontem que sua segunda fábrica no País, anunciada em dezembro, será construída em Goiana, Pernambuco, e não mais no Distrito de Suape. O investimento previsto, de R$ 3 bilhões, poderá ser ampliado para até R$ 4 bilhões. A nova área é três vezes maior e também vai abrigar um campo de provas.
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A capacidade produtiva atingirá 250 mil veículos ao ano, 50 mil a mais que a prevista anteriormente. A previsão de geração de empregos diretos passou de 3,5 mil para 4,5 mil. Na mesma área, serão instaladas cerca de 20 fabricantes de autopeças, que vão fornecer kits completos para a linha de montagem, processo que o presidente da Fiat, Cledorvino Belini, chama de "pernambucalização".
O termo é uma referência ao processo chamado por ele de "mineirização", que consistiu na instalação de diversos fabricantes de componentes ao redor da fábrica do grupo inaugurada há 35 anos em Betim (MG).
O terreno de Goiana tem 14 milhões de metros quadrados de área contínua, que vai abrigar também centro de capacitação e treinamento de mão de obra e centro de pesquisa e desenvolvimento. O terreno de Suape media 4,4 milhões de metros quadrados, divididos em três áreas.
Apesar da mudança de município, a Fiat vai ficar com um terreno de 500 mil metros quadrados em Suape, que usará como área retroportuária e centro de logística. Em dezembro, a montadora chegou a fazer uma cerimônia de instalação da pedra fundamental na região, com a presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A perspectiva, de acordo com Belini, é de início das operações da fábrica em março de 2014. Embora ele não confirme, o primeiro modelo a ser produzido em Pernambuco deve ser um compacto, substituto do Mille.
Segundo a montadora, o plano de investimento do grupo no Brasil, inicialmente de R$ 10 bilhões no período 2011 a 2014, poderá ser ampliado para atender o projeto da nova fábrica. Os R$ 7 bilhões previstos para Minas Gerais - onde a capacidade da fábrica de Betim será ampliada de 800 mil para 950 mil automóveis ao ano - estão mantidos.
Crise. Belini disse não temer o atual momento econômico internacional. "Normalmente, as crises não afetam os investimentos, pela simples razão de serem passageiras", disse, em entrevista no Palácio do Campo das Princesas. "Este investimento é de longo prazo, para 2014."
Para receber a Fiat em Goiana, em área que atende as projeções de ampliação da empresa nos próximos 30 anos, o governo de Pernambuco desapropriou as terras de duas usinas de cana de açúcar, a Santa Teresa, do Grupo João Santos, e a São José, da família Petribu, doadas à montadora.
O procurador-geral do Estado, Thiago Norões, que negociou a desapropriação, não informou o valor pago pelo Estado, mas lembrou que o metro quadrado em Goiana tem avaliação "muito menor" que a área do complexo de Suape, que está inflacionada. "Dentro da área de Suape, o hectare está sendo comercializado entre R$ 250 mil a R$ 300 mil", observou.
O presidente da Fiat ressaltou que o grupo está "dando início formal ao que será uma nova fase na história da Fiat no Brasil", ao mesmo tempo em que ajuda "a construir uma etapa importantíssima do desenvolvimento de Pernambuco".
O governador Eduardo Campos (PSB) comemorou a oportunidade de equilibrar o desenvolvimento do Estado e disse estar atento ao novo desafio, que envolve capacitação e qualificação de mão de obra.
Ele citou o protocolo de intenções assinado entre a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e a Universidade de Pernambuco (UPE) com a Universidade de Milão, para receber alunos dos cursos de engenharia, além de 22 mil vagas do Sistema S que estão sendo negociadas para atender à demanda.
O prefeito de Goiana, Henrique Fenelon (PC do B), determinou ponto facultativo ontem na cidade, que teria festa de rua para celebrar a chegada da Fiat.
PARA LEMBRAR
Pacote especial atraiu projeto
A Fiat escolheu Pernambuco para construir sua segunda fábrica no País após o governo federal alterar a lei de incentivos fiscais às montadoras e autopeças do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Como só empresas já instaladas nessas regiões teriam acesso aos benefícios - prorrogados até 2020 -, a Fiat comprou a indústria de chicotes elétricos TCA, instalada em Jaboatão dos Guararapes, e pôde se inscrever no novo regime, que também beneficiou a Ford. A Fiat poderá compensar parte do pagamento de PIS e Cofins com créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), além de receber benefícios estaduais.
Além da Fiat, estão construindo novas fábricas no Brasil a Toyota, Hyundai e Chery, todas em São Paulo, e a Suzuki, em Goiás. Anunciaram projetos, mas ainda não definiram locais, a Nissan, JAC e Lifan. Na lista das que avaliam instalações estão BMW, Paccar, Sinotruk, Geely, BYD, Foton, Great Wall e Changan/Haima.
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