"Polícia Militar, inquietação nos quartéis!"
Militares não podem fazer greve. Em qualquer parte do mundo, quando o colapso tiver se abatido sobre os demais setores ainda restarão os militares para socorrer e apoiar a população. É com base nessa tradicional verdade que o governo do Rio prendeu 439 bombeiros que, em protesto por melhores salários, ocupavam a sede da corporação. A operação, realizada pelo BOPE (Batalhão de Operações Especiais) foi cinematográfica e indevida, principalmente em se tratando da repressão entre duas forças co-irmãs, cuja natureza das missões as obriga a trabalhar unidas. O uso político-trabalhista de uma delas criou seqüelas que dificilmente serão superadas, maiores até do que as resultantes do confronto entre policiais civis e militares paulistas, ocorrido anos atrás nas proximidades do palácio do governo, cujas dores até hoje são sentidas por ambas as partes.
Sabedores de que os militares não podem fazer greve – e se o fizerem ficam sujeitos às punições disciplinares e até à demissão – governantes têm sido negligentes com os salários da classe. Isso tem produzido extrema inquietação nos quartéis e prejuízos incalculáveis à segurança pública e outros serviços essenciais sob responsabilidade militar. Não podendo manter um padrão de vida razoável, parte dos militares baixa o padrão de vida, outros recorrem ao “bico” e uma pequena parcela se entrega à corrupção e ao crime. E quem perde é a sociedade, que paga impostos para ter segurança e não a tem no nível e na medida esperadas.
Durante toda a nossa trajetória, mantivemos uma posição legalista, combatendo as propostas de greve entre os militares. Os episódios do Rio, no entanto, conduzem ao raciocínio de que o limite de tolerância parece ter chegado ao fim. Os militares grevistas e o governo carioca caminham para um sério impasse, e o movimento pode alastrar-se para outros estados com o mesmo problema salarial. Seria mais econômico e menos sofrido se os governos atendessem, pelo menos parcialmente, as reivindicações da classe antes da chegada da avalanche...
Autor: Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves é dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) -aspomilpm@terra.com.brFonte: http://policialbr.com/profiles/blogs/policia-militar-inquietacao#ixzz1P18Ku7P1/http://sargentoricardo.blogspot.com/
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