
10 de Outubro de 2010
Muito antes do que estava previsto, a Senadora Marina Silva enquadrou seu partido no devido tamanho, em função da negociata já em andamento para apoiar José Serra. Os jornais já davam conta da desesperada ofensiva de José Serra, oferecendo quatro ministérios ao PV, que apesar da gigantesca votação de Marina, saiu quase do mesmo tamanho no parlamento. Muitos estranharam os motivos pelos quais a Senadora Marina Silva teria falado em 15 dias para definir se iria apoiar alguém, mas a senha foi dada pela Folha de São Paulo. Com esse tempo, Marina simplesmente quis deixar a poeira baixar, fazendo com que a importância de seu voto diminuísse, para que se declarasse neutra. Para a Senadora, a vitória de Serra é o que menos interessa, porque representaria mudança de Governo, e isso torna inviável sua eleição em 2014, já que a população enxergaria o PT como oposição natural. Já um mandato de Dilma pode ser mais facilmente contestado, pelas fragilidades da própria candidata e porque em 2014 já seriam 12 anos de mandato petista, e ela naturalmente seria uma candidata natural da oposição, cujo eleitorado se dividiria entre ela e Aecio. Logo depois da eleição, a escumalha localizada no alto clero do PV tratou de abrir negociações com Serra, mas o próprio candidato sabe que o apoio do PV vale tanto quanto um celular Xing Ling. Dos 20 milhões de votos, o PV não deu 100 mil a Marina, que sozinha fez sua campanha decolar. Basta ver os resultados do PV nos Estados. Até Gabeira teve um resultado ridículo, por fazer hoje política do mesmo jeito que os políticos tradicionais. Esta mesma patota esqueceu com quem estava lidando. Marina Silva participou de negociações duríssimas durante toda a sua vida. Aprendeu a ter nervos de aço, matando do coração muita gente que gostaria de ter o “desenvolvimento” a qualquer custo. Sua passagem no Ministério do Meio-Ambiente ficou conhecida pela utilização da técnica do empate, quando se trava um projeto por algum tempo, com o objetivo de negociar melhores condições. Para utilizar a seu favor a regra do empate, Marina sempre utilizou a lentidão da justiça. Mas para vencer a sanha da direção do seu partido por cargos, Marina utilizou seu capital político, colocando ordem na casa. A Folha de São Paulo de ontem trouxe detalhes de uma reunião privada, onde Marina teria ironizado a direção do PV, dizendo: “Quatro ministérios pro PV... Caramba! Do jeito que tem gente aí, basta pensar num conselho de estatal, já estaria muito bom. Certo? Tem esse tipo de mentalidade”. Marina já sabia onde estava se metendo quando entrou no PV. Muita gente tentou desqualificá-la por causa destas pessoas que fazem parte do PV, mas isso acontece em 100% dos partidos. Não há partido puro no Brasil. Se olharmos atentamente, o PV é um dos menos piores. Mas sua candidatura para o PV foi conveniente para ela e para o partido. A senha já está dada. Marina ficará neutra no segundo turno, e está dando tempo para seus votos migrarem, e a participação do PV ser reduzida a nada. Ela sabe que não deve apoiar ninguém, já que seus votos vieram em grande parte da insatisfação de eleitores dos outros partidos, e seu eleitorado ficaria dividido. A corriola que manda no PV esqueceu que por trás do jeito doce e meigo daquela senhora franzina, está uma fera que durante toda a sua vida soube lidar com gente muito pior que eles.
Fonte: Blog do Gabriel Diniz
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